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sábado, 11 de abril de 2015

Bolo de Bolacha Maria

 Encontrei uma receita que há muito não se fazia por estas bandas e que já sentia aquela nostalgia gustativa das memórias de infância:
O "lendário" bolo de bolacha.

A minha mãe fazia muito, mas mesmo muito. Quando era criança, enjoei, mas depois quando era adolescente e chegava tarde, diga-se, muito tarde,  ;).  , apetecia!!!


Acho que não conheço ninguém da minha geração que não saiba do que estou a falar.
As nossas mães, tias, avós faziam-no com alguma frequência quando erámos "piquenos" (não, não me enganei, lembrei-me da minha avó Irene).

Gosto deste bolo feito em casa, gosto particularmente daquele sabor caseiro do creme de manteiga com café, é claro, daquela bolacha Maria, que sabe bem, seja com manteiga ou compota.

Desculpem-me a franqueza, mas o que vemos habitualmente à venda deixa-me logo "mal disposto", aqueles com um creme branco (em vez do amarelado), industrialmente feitos sem aquele sabor nostálgico.
A sua confecção é tão simples que se tiver crianças, elas adoraram participar nesta receita, assim perpetuará desde já a história deste famoso bolo.

Daqueles bolos em que todos podem participar numa tarde bem passada em família, com fotos e risadas...


Receita caseira 

2 pacotes de bolacha Maria
1 café bem forte
Mistura solúvel de café q.b.
250 ml de água
250 gr de manteiga sem sal à temperatura ambiente (nada de derreter no microondas)
250 gr de açúcar amarelo ou em pó
raspas de chocolate
Coloque a manteiga, o açúcar e o café forte na batedeira e deixe até obter uma massa homogénea.
Faça o café solúvel e coloque-o num prato. Mergulhe as bolachas no café e distribua-as num prato onde vai servir o bolo. Comece por colocar uma bolacha no centro e depois mais 6 bolachas à sua volta.
Barre uma com o creme de manteiga cada camada.
Repita até acabar as bolachas.
Por fim barre o topo e as laterais do bolo com creme de manteiga.
Rale o chocolate para decorar e deixe ficar no frigorífico pelo menos 2 horas. (de preferência de um dia para o outro)
Os miúdos ajudaram na confecção e a deglutir.
Mais uma receita fácil e rápida.


N'O Funil vamos fazê-lo recordar as memórias e referências de infância quando degustar o nosso Bolo de Bolacha bem ao estilo Português,  e porquê?


Porque isto não se faz em mais lado nenhum do Mundo, um mundo repleto de curiosidades, é algo único, nosso, o nosso Bolo de Bolacha.


A Equipa d'O funil Funil desejo-lhe uma Excelente semana de meio de Abril.

Não deixe de levar consigo a nossa Agenda Gastronómica Semanal quando nos visitar.




  

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Caldo Verde

O caldo verde é uma sopa de couve-galega, típica da Região do Norte de Portugal continental, mas muito divulgada e com impacto em todo o país. Tem também impacto nos países povoados pelos portugueses, como o Brasil.

É uma sopa medianamente espessa e de cor predominantemente verde, uma vez que a couve é cortada às tiras bastante finas. Foi nomeada uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal.

Degustação
Devido à sua simplicidade e leveza, come-se no início de uma refeição principal ou numa ceia tardia, servida muito nos casamentos e noites de reiveillon pela sua composição e tradição. Para uma degustação genuína, o caldo verde serve-se sempre em tigelas ou malgas de barro, acompanhadas de broa de milho, de centeio ou broa de Avintes e junta-se, no caldo, várias rodelas de salpicão ou de chouriço de colorau, mas, de preferência, salpicão, que o tornam ainda mais delicioso. 


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Alheira de Mirandela, uma das 7 Maravilhas das Gastronomia Tradicional Portuguesa

Segundo a tradição, este enchido terá sido criado por cristãos novos que, em segredo, continuavam a guardar costumes da sua renegada religião judaica, a fim de dar a entender a toda a sociedade que eram cristãos assumidos e bem integrados. Como o judaísmo proíbe o consumo da carne de porco, alguns dos supostamente recém convertidos teriam inventado um chouriço onde discretamente a carne de ave substituía a carne de porco, tradicional entre os cristãos. Desta forma, nas primeiras alheiras foram usadas várias carnes alternativas ao porco, tais como peru, galinha e outras aves.

Na região de origem a norte de Portugal (Trás-os-Montes), a alheira é consumida grelhada, ou assada em lume brando, acompanhada por batata cozida com um fio de azeite, e legumes da época variados. Mais a sul o mais natural é encontrar os menus com a alheira frita, batatas fritas, ovo estrelado e saladas de alface e tomate. Por vezes, é também acompanhada por grelos de couve. É uma presença habitual nas ementas dos restaurantes de todo o país.

A mais famosa das alheiras é a oriunda de Mirandela, na região de Trás-os-Montes, frequentemente considerada a de melhor qualidade, tendo sido nomeada uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal.

No entanto também esta é uma origem da qual o fundamento é duvidoso. Apenas recentemente se fabricam alheiras em Mirandela e em unidades industriais. O que é normal, pois a Alheira é típica do frio e da Terra Fria, sendo que Mirandela fica na Terra Quente.

Assim como o Vinho do Porto é do Douro e o Porto era apenas o entreposto de estadia e embarque para outras paragens e mercados, assim as alheiras chegavam a Mirandela provindas das regiões mais remotas e interiores de Trás os Montes para aí serem depois comercializadas ou embarcadas em comboio para o Porto, sobretudo, e daí para o resto do país. As alheiras "genuínas" sempre vieram da raia norte (Vinhais) e da raia Mirandesa, sendo as primeiras e as segundas algo distintas quanto ao sabor e quantidade de fumeiro que levam.

Por tradição, os fumeiros da raia norte levam mais fumo e mais vinho e alho do que os fumeiros da raia mirandesa, mais suaves e menos temperados.

Actualmente a produção de alheiras em Mirandela é um negócio Industrial. Quem quiser provar alheiras mais próximas do seu estado "original" e da sua essência, terá de o fazer em alguma das aldeias da raia norte ou raia mirandesa. Porém, as alheiras extrapolam actualmente o território transmontano e produzem-se em muito mais regiões do país.

Alheira de Mirandela frita
Desde 1996 que este enchido tem proteção de Especialidade Tradicional Garantida (ETG).


O novo estatuto foi autorizado pela Comissão Europeia e confirmado pelo Governo português no despacho do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Gomes da Silva, publicado a 03 de julho em Diário da República.
A partir de Julho de 2013, a Alheira de Mirandela só pode ser produzida no concelho de origem, uma ambição antiga dos produtores locais que se concretiza com a atribuição de Indicação Geográfica Protegida ao enchido tradicional.
No entanto a atribuição de IGP não foi registada ao nível da União Europeia, tendo o seu processo sido apresentado a 10 de março de 2011. Por este motivo da rotulagem dos produtos apenas pode constar a menção "Alheira de Mirandela".

Área geográfica
Para além da área circunscrita de nascimento, cria, recria, abate e desmancha dos porcos Bísaros e cruzados usados na produção da Alheira de Mirandela, a área geográfica de transformação e acondicionamento é mais limitada e circunscrita unicamente ao concelho de Mirandela.

sábado, 28 de março de 2015

A Origem do Bacalhau na Gastronomia Tradicional Portuguesa

O Bacalhau para os povos de língua portuguesa; Stockfish para os anglo-saxônicos; Torsk para os dinamarqueses; Baccalà para os italianos; Bacalao para os espanhóis; Morue, Cabillaud para os franceses; Codfish para os ingleses,  tem origem no latim, baccalaureu.

Os Vikings são considerados os pioneiros na descoberta do "cod gadus morhua",  espécie que era farta nos mares que navegavam. Como não tinham sal, apenas secavam o peixe ao ar livre, até que perdesse quase a quinta parte do seu peso e endurecesse como uma tábua de madeira, para ser consumido aos pedaços nas longas viagens que faziam pelos oceanos.


Mas deve-se aos bascos, povo  que habitava as duas vertentes dos Pirineus Ocidentais, do lado da Espanha e da França, o comércio do bacalhau. Os bascos conheciam o sal e existem registos de que já no ano 1000, realizavam o comércio do bacalhau curado, salgado e seco.  Foi na costa de Espanha, portanto, que o bacalhau começou a ser salgado e depois seco nas rochas, ao ar livre, para que o peixe fosse melhor conservado, como actualmente ainda é feito na Nazaré com o peixe, carapau.


Na verdade o bacalhau foi uma revolução na alimentação, porque na época os alimentos estragavam-se pela precária conservação e tinham sua comercialização limitada (o frigorífico surgiu no século XX).  O método de salgar e secar o alimento, além de garantir a sua perfeita conservação mantinha todos os nutrientes e apurava o paladar. A carne do bacalhau ainda facilitava a sua conservação salgada e seca, devido ao baixíssimo teor de gordura e à alta concentração de proteínas. Um produto de tamanho valor, sempre despertou o interesse comercial dos países com frotas pesqueiras.


Em 1510, Portugal e Inglaterra assinaram um acordo contra a França. Em 1532, o controle da pesca do bacalhau na Islândia criou um conflito entre ingleses e alemães conhecido como as "Guerras do Bacalhau". Em 1585, outro grande conflito envolveu ingleses e espanhóis. Por isso, ao longo dos séculos, várias legislações e tratados internacionais, foram assinados para regular os direitos de pesca e comercialização do tão cobiçado pescado. Atualmente, com a espécie ameaçada de extinção em vários países, como o Canadá, tratados internacionais de controle da pesca estão constantemente a ser revistos, com o objetivo de assegurar a reprodução e a preservação do "Príncipe dos Mares", o Bacalhau, e não o novo é conhecido Skrey, que está tão em voga mas que não tem garantidamente
a mesma qualidade.

E a sua globalização: O mercador holandês Yapes Ypess que fundou a primeira indústria de transformação na Noruega e é considerado o pioneiro na industrialização do peixe. A partir daí, a crescente demanda na Europa, América e África foi aumentando o número de barcos pesqueiros e de pequenas e médias indústrias pela costa norueguesa, transformando a Noruega no principal pólo mundial de pesca e exportação do bacalhau. Devemos aos portugueses o reconhecimento por terem sido os primeiros a introduzir, na alimentação, este peixe precioso, universalmente conhecido e apreciado".
(Auguste Escoffier, chef-de-cuisine francês, 1903).



Os portugueses descobriram o bacalhau no século XV, na época das  grandes navegações. Precisavam de produtos que não fossem perecíveis, que suportassem as longas viagens, que levavam às vezes, mais de 3 meses de travessia pelo Atlântico. Fizeram tentativas com vários peixes da costa portuguesa, mas foram encontrar o peixe ideal perto do Pólo Norte. Foram os portugueses os primeiros a ir pescar o bacalhau na Terra Nova ( Canadá ), que foi descoberta em 1497. Existem registros de que em 1508 o bacalhau correspondia a 10% do pescado comercializado em Portugal. Já em 1596, no reinado de D. Manuel, mandava-se cobrar o dízimo da pescaria da Terra Nova nos portos de Entre Douro e Minho.

Também pescavam o bacalhau na costa da África. O bacalhau foi imediatamente incorporado aos hábitos alimentares e é até hoje uma de suas principais tradições. Os portugueses tornaram-se os maiores consumidores de bacalhau do mundo.


“Os meus romances, no fundo, são franceses, como eu sou, em quase tudo, um francês – excepto num certo fundo sincero de tristeza lírica que é uma característica portuguesa, num gosto depravado pelo fadinho, e no justo amor do bacalhau de cebolada!” Eça de Queiroz (Carta a Oliveira Martins )

O hábito de comer bacalhau foi para o Brasil com os portugueses, já na época dos descobrimentos.  Mas foi com a ida da corte portuguesa, no início do século XIX, que este hábito alimentar se começou a difundir. Dessa época data a primeira exportação oficial de bacalhau da Noruega para o Brasil, que aconteceu em 1843.

Na edição do Jornal do Brasil de 1891 está registado que os intelectuais da época, liderados por Machado de Assis, reuniam-se todos os domingos em restaurantes do centro do Rio de Janeiro para comer um autêntico "Bacalhau do Porto" e discutir os problemas brasileiros.

Mais de um século depois, ainda são muito comuns, nos restaurantes especializados estes "almoços executivos", onde a conversa sobre negócios é feita saboreando um bom bacalhau.

A tradição popular do bacalhau.

Durante muitos anos o bacalhau foi um alimento barato, sempre presente nas mesas das camadas populares. Era comum nas casas portuguesas, como o Restaurante "O Funil, o bacalhau servido às sextas-feiras, DIAS SANTOS e festas familiares.


Após a 2ª Guerra Mundial, com a escassez de alimentos em toda a Europa, o preço do bacalhau aumentou, restringindo o consumo popular. Ao longo dos anos foi mudando o perfil do consumidor do bacalhau, e o consumo popular do peixe se concentrou, principalmente, nas principais festas cristãs: a Páscoa e o Natal. Actualmente, o bacalhau está totalmente incorporado à Gastronomia Tradicional Portuguesa, sendo impossível pensar na etnografia Portuguesa sem se falar em Bacalhau. Todos os bons restaurantes oferecem na sua carta principal o nobre pescado, e o pastel de bacalhau é preferência nacional nas pastelarias Lisboetas, tasquinhas e bares de norte a sul do país.


Agora vai uma receita sensacional.


Bacalhau Com Natas   


Ingredientes
4 postas de bacalhau demolhado
0,80 cl de leite
6 cebolas cortadas em rodelas
100 ml de azeite
2 colheres (sopa) de farinha de trigo
1kg de batata
o quanto baste de nós-moscada
o,40 cl de nata

50 gramas de queijo ralado
o quanto baste de sal
o quanto baste de pimenta branca moída

Modo de preparar

Cozinhar as postas de bacalhau em leite. Corte a cebola em rodelas finas e refogue em azeite até estar mole e transparente. Escorra o bacalhau e desfaça-o em lascas, sem desfiar, junte à
cebola.  Deixe refogar lentamente. Polvilhe com farinha, mexa e regue com leite coado, onde cozinhou antes o bacalhau. Deixe engrossar, mexendo, de vez em quando. Descasque e corte as batatas em cubos e frite em óleo não quente, de forma a deixá-las mais cozidas que fritas. Escorra as batatas e junte-as ao bacalhau. Tempere com sal,
pimenta e nós-moscada. Deite tudo num tabuleiro untado de ir ao forno, espalhe por cima as natas e polvilhe com queijo ralado. Leve ao forno até estar gratinado. Sirva com uma salada fresca de alface e tomate.


Heis que temos uma das 1001 maneiras de cozinhar este belo peixe que faz parte da história Portuguesa e da memória e referência de todos os Portugueses, até mesmo daqueles que não são nascidos em Portugal, ficam associados e um dia têm o desejo e dizem... "Tenho de provar aquele bacalhau de que os meus antepassados tanto falam e tanto leio sobre.


A Equipa d'O Funil desejo-lhe um excelente dia


Saudações etnográficas e Gastronómicas